Barreirinhas, 3 de junho de 2007.
Em Barreirinhas conhecemos a Carol, uma jovem bióloga que trabalha para o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), no Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses. Ela nos fala sobre o parque e sua organização.
O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses
O parque possui uma área de 155.000 hectares e foi delimitado em 1981 quando pesquisadores que percorriam a região viram as peculiaridades do lugar, o maior campo de dunas das Américas, e a vida associada a elas. Muitas vezes os meios de comunicação anunciam como “o deserto brasileiro” mas como vocês mesmos puderam ver, não se trata de um deserto já que na época de chuvas, de janeiro a junho, chove muito. Neste período a camada de argila que se encontra abaixo das dunas cria um lençol freático bem raso e isso permite a formação de mais de 3.000 lagoas entre as dunas.
70% do parque são dunas e o resto é vegetação de diversos tipos, incluindo uma restinga na qual se encontra também espécies vegetais típicas de outros bioma como cerrado e caatinga. Isso se deve ao Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses estar localizado numa região de transição entre vários biomas. Nos limites também existem manguezais que foram incluídos para garantir sua conservação. O parque inclui também o litoral até um quilômetro mar adentro, onde temos animais marinhos, tais como tartarugas, golfinhos, peixes-bois,...
Devido a sua particular geologia, a vida que surge no parque é peculiar e se adapta bem a este ambiente. As cores dos insetos, anfíbios e répteis que vivem aqui, por exemplo, são mais claros, o que lhes permite camuflar-se melhor na areia, mas o mais surpreendente são os peixes que aparecem todos os anos nas lagoas temporárias. Ainda não existem estudos suficientes mas acredita-se que possuem um ciclo de vida muito curto e que os ovos resistem na a areia até a chegada das próximas chuvas.
Turismo
O parque foi criado para proteger este ecossistema tão especial e rico, é por isso que o turismo que chega aqui tem que ser diferente, não se pode pensar em vir a este lugar para beber cerveja ouvindo música a todo volume.
Nosso trabalho está enfocado em tentar ordenar o turismo. Como chegamos depois que o turismo começou temos muito que recuperar. Atualmente boa parte dos visitantes fazem turismo de massa, incompatível com a preservação do Parque Nacional, mas não podemos bloquear porque não temos estrutura suficiente, o mesmo acontece com a cobrança de entradas para o parque, não temos estrutura para cobrar-lo e por isso a administração do parque não recebe nem um centavo de toda a renda gerada pelo turismo. Nosso trabalho tem sido buscar orientar e ordenar a visitação, trabalhando com diferentes segmentos do setor turistico.
Por enquanto estamos mantendo contato com as agências de turismo para coordenar as ações e também com os guias, o ano passado começamos com um curso de capacitação dos guias que tem continuidade este ano.
Tipos de Unidades de Conservação no Brasil
No Brasil as Unidades de Conservação e os parques são obrigados a ter um regulamento, o plano de manejo, a pesar de que muitos ainda carecem de um. O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses já conta com um plano de manejo, apesar de que necessita de alguma atualização, já define por exemplo quais são as áreas permitidas para visitação, com algumas restrições e quais são essencialmente de preservação. Se um ambiente é mais sensível pode ser visitado, mas com restrições.
O sistema brasileiro prevê 12 tipos diferentes de Unidades de Conservação, dependendo do tipo de preservação e o uso que se pode dar no lugar. Há as consideradas de Proteção Integral pois nao permitem uso direto de seus recursos, um exemplo é o caso dos Parques Nacionais, e há também as de Desenvolvimento Sustentável, que permitem uso direto e indireto de seu recursos, porém de forma ordenada e com planejamento. As reservas biológicas e as estações ecológicas, por exemplo, são unidades muito restritivas onde basicamente se permite a pesquisa científica e a ação do IBAMA nelas consiste essencialmente em fiscalizar e apoiar as pesquisas, além de promover os conselhos consultivos destas unidades de conservação.
Outros tipos de unidades permitem tipos diversos de atividades e podendo,inclusive permitir moradores no seu interior, são as reservas extrativistas e reservas de desenvolvimento sustentável onde os moradores podem coletar materiais para sua subsistência e realizar alguma comercialização incipiente sempre que não degradem o meio ambiente.
Situação do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses
O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses é uma unidade do primeiro tipo, de proteção integral. Podem ser desenvolvidas na Unidade, mediante aprovação do órgão gestor do Parque, as atividades de educação ambiental e pesquisa, o ecoturismo. Os moradores anteriores devem ser indenizados e reassentados, num local que mantenha um padrão de vida similar.
Os Lençóis já tinham muitos moradores antes que se constituísse o parque. Permite-se que estas pessoas possam manter o seu modo de vida sempre que não agridam o meio ambiente e vivam dentro do estilo tradicional. Por exemplo, até que sejam indenizados permite-se que mantenham a roça tradicional de subsistência que já ocupavam pequenas áreas. O que não se permite é que o morador abra novos espaços para construir, por exemplo, uma pousada aproveitando o boom turístico.
Na reportagem Parque Nacional Lençóis Maranhenses encontrarás mais imagens deste paraíso natural.
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